Memorial Wagner Segura

Um pouco de sua história

Wagner Segura é natural de São Paulo/SP mas desde menino reside em Florianópolis/SC, cidade que adotou. Músico professor, compositor, arranjador, violonista, cavaquinista, bandolinista e produtor musical. Segundo o Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, “um dos principais propagadores e divulgadores do gênero choro em Florianópolis”. 

Aos 15 anos o seu interesse pela música foi crescendo, aos 16 anos assistiu um show em Florianópolis com Waldir Azevedo (cavaquinho); Luiz Gonzaga, Clara Nunes João Bosco; Abel Ferreira, que o influenciou muito no destino da música. Lps como Antologia do Chorinho (Altamiro Carrilho) e Era de Ouro (Jacob do Bandolim) foram decisivos para que se estabelecesse uma relação e uma paixão pelo chorinho, gênero que marcou sua trajetória como músico. 

Quando começou a tocar bandolim teve oportunidade de subir ao palco informalmente a convite de Altamiro Carrilho no show Antologia do Chorinho no SESC em Florianópolis, no início dos anos 80. Em meados da década de 90 teve oportunidade de acompanhar o  músico no show produzido pela Pró Música no Centro Integrado de Cultura (CIC) junto com o grupo Nosso Choro, sob sua direção. 

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Aos 17 anos entrou de cabeça nos estudos da música, final da década de 70. Em Florianópolis não havia muita informação e os músicos que tocavam choro eram autodidatas. Gostava de prestigiar os músicos da época na cidade, Nilo do Clarinete, Célio do Bandolim, Neide Mariarrosa, Djalma do Piston, Mazinho do Trombone, Léo do violão, Nilton Setubal violão de 7 cordas, Carlinhos Vieira-violão tenor, Zequinha , Valter e Niso do pandeiro.

Neide Maria Rosa e Tião a acompanhando no violão. Acervo Josué Costa.

“Era uma fase rica do choro e da seresta na época. Porém não havia informações, quem ensinasse. Começava então a desbravar uma mata sem trilha, queria aprender cavaquinho em 1975 e não encontrava quem ensinasse. A única forma de receber informações seria ficar de olho em cantores de samba que viriam fazer show na cidade e trocar informações com músicos, assim fui fazendo, quando veio a cantora Beth Carvalho em show na cidade na década de 70 troquei informações com o cavaquinhista Walmar Amorin, que elucidou caminhos com cifras, já que nem leitura de cifras havia na cidade. Mais tarde, encantado por solos , ouvindo Jacob do Bandolim nos discos começei a me interessar por choro, não havia quem ensinasse. Sempre buscava informações com bons músicos cariocas que vinham por aqui e que ouvia em discos. Num destes shows, veio o violonista Turíbio Santos acompanhado de músicos espetaculares como o violonista Rafael Rabelo, que foi quem me passou o contato do bandolinista Joel Nascimento/RJ, daí nasceu uma amizade e comecei a ter aulas com ele, que era na época o melhor bandolinista, a partir daí comecei a fazer intercâmbio com músicos cariocas e constantemente estava no Rio, fiz muitas amizades como Tony 7 cordas do conjunto Época de Ouro, Ronaldo do Bandolim, Jorginho do Pandeiro e outros. Aí sim comecei a me desenvolver, pegar a linguagem carioca e o sotaque do choro e samba.”

Estudou profundamente bandolim, fundou e tocou nos grupos Vibrações e Nosso Choro, regionais que acompanharam grandes instrumentistas como Arthur Moreira Lima, Altamiro Carrilho e cantores como Silvio Caldas, Neide Mariarrosa e tantos.

Já no início da década de 90 começava o meu primeiro trabalho como arranjador no Disco da cantora Maria Helena, trabalho autoral com composições de músicos da cidade, e gravação de músicos do Rio de Janeiro e Florianópolis. Deste disco participaram músicos de destaque como Dino 7 Cordas; Jorginho do Pandeiro; sopros; percussionistas que tocam com Paulinho da viola como: Celsinho do pandeiro; Cabelinho.  Um disco que, segundo Wagner Segura, abriu as portas para ele no samba. Começou a atuar em escolas de samba, onde tocava cavaquinho. “Fui envolvido com o carnaval de passarela na cidade por mais de 30 anos, sendo Diretor musical de Escolas como Embaixada Copa Lord; Consulado do Samba, Protegidos da Princesa e por último como violonista da Coloninha.”

Na década de 90 em diante abraçou o violão de 7 cordas, que se tornou o seu principal instrumento.

Economista de formação pela Universidade Federal de Santa Catarina, em 1988 largou o serviço público por não querer dividir seu tempo da música. Começou a dar aulas e criou o Centro Musical Wagner Segura que formou muitos alunos. Grande parte dos músicos que atuam no samba e no choro em Florianópolis beberam da fonte do Centro Musical ou tiveram acesso aos conhecimentos acumulados por Wagner. Alguns deles seguem a carreira e se tornaram grandes músicos como Daniel Aranha/RJ, músico, arranjador, hoje faz parte da banda de Jorge Aragão; Guilherme Cardoso; Vinícius Buch e tantos outros.

Como instrumentista, acompanhou – além dos já mencionados Neide Mariarrosa (cantora), Sílvio Caldas (cantor), Artur Moreira Lima (pianista) e Altamiro Carrilho (flautista) – Zininho, Noite Ilustrada, Monarco/Portela, Sombrinha, Arlindo Cruz, Ronaldo do Bandolim, Mart’nália, entre outros.

Como produtor e arranjador , produziu mais de 30 CDs local, como Neide Mariarrosa, Zininho, Maria Helena, Rachel Barreto. Gravou 3 CDs instrumental solo, com o grupo Nosso Choro; e dois como violonista, Um toque brasileiro e Nova Manhã.

Atualmente, a partir de sua experiência acumulada, dedica seu tempo para a produção de cursos e soluções em ambiente digital com um grupo de Associados para a propagação da aprendizagem musical no samba e no choro com qualidade, de fácil acesso e a custo acessível.